domingo, junho 08, 2008

Vencedores dos Troféus e Prémios PRADBA 2007!

Vencedores dos Troféus e Prémios PRADBA 2007

Ontem, dia 7 de Junho de 2008, data em que o Bazar das Monjas comemorou o seu 4º aniversário, aconteceu em Cós a Cerimónia de entrega dos prémios PRADBA 2007. Ficam aqui algumas fotografias da Cerimónia (que podeis usar à vossa vontade), bem como a lista final dos vencedores dos Troféus e Prémios. Queríamos deixar um agradecimento muito especial à Rádio Cister que assegurou a cobertura quase integral e em directo deste evento

Para que possais ouvir com atenção a magnífica composição musical especialmente criada para o PRADBA por Osvaldo Fernandes e Claude Mateus, fica também aqui o vídeo Simplex Oratio.



1º Prémio PRADBA 2007

José Ribeiro Antunes, “Oração” (Escultura)

Nota biográfica: José Ribeiro Antunes nasceu em Montes, freguesia de Montes, concelho de Alcobaça, a 17 de Fevereiro de 1961. Começou a desenhar com cerca de cinco anos de idade, por influência de seu tio, Luís Bonifácio Antunes (1927-1972), talentoso escritor e brilhante jornalista alcobacense. José Antunes nunca deixou desde então de desenhar, sendo o desenho a lápis de grafite uma das técnicas em que se especializou. Participou em diversas exposições individuais e colectivas, tendo sido responsável pela rubrica “Desenhos e Caricaturas de Antunes”, publicada ininterruptamente no quinzenário O Alcoa ao longo dos anos de 2000 e 2001. José Antunes trabalha há 26 anos na fábrica de porcelanas SPAL, S.A. onde actualmente exerce as funções de modelador.

Sobre a Obra: “Quando vi a peça premiada pela primeira vez deram-me um espelho para que eu pudesse visualizá-la em toda a sua extensão, por todos os seus ângulos, para que não me escapasse nenhum pormenor. Mas não senti necessidade de usar o espelho. Isto porque a primeira sensação que tive quando vi a peça era que seria a vencedora. Não só pela sua aparente magnitude e estrutura mas sobretudo pelo diálogo que a peça criou imediatamente comigo. Isto é, não só pelo seu aspecto visual, mas muito porque me obrigou a olhá-la e a pensar sobre ela. E é este aspecto que eu gostaria de realçar: a capacidade que cada obra de arte tem de dialogar com o espectador, de lhe transmitir sensações, boas ou más, agradáveis ou incomodativas, mas de nos pôr a questionar o que vemos, de nos posicionar a tentar interpretá-la sob os nossos próprios padrões. Sendo este um prémio artístico, não poderíamos deixar de parte o factor criatividade com que o tema a concurso – a freguesia de Cós – fosse abordado. Não queríamos só que nos provassem o saber fazer, mas também que nos mostrassemo fazer pensar, o fazer sonhar. Que nos provassem que tinham a capacidade de saber interpretar o tema mas que podiam ser totalmente livres na sua forma criativa. Que cada um de nós possa fazer a sua interpretação; que cada um de nós dialogue com a peça de forma diferente, que depolete discussão, que nos provoque diferentes emoções. É o meu apelo a todos os espectadores hoje aqui presentes. Muitos parabéns ao autor!”

Catarina Mateus, Membro do Júri PRADBA 2007

2º Prémio PRADBA 2007

O Júri decidiu maioritariamente a não atribuição deste prémio.

3º Prémio PRADBA 2007

Paulo Ascenso Mateus, “Mosteiro de Cós e Um Rio” (Escultura)

Nota biográfica: Paulo Ascenso Mateus nasceu em Cós a 6 de Junho de 1965. Sem nenhum passado artístico, Paulo Ascenso Mateus é um autodidacta que aos 8 anos fazia instalaçoes eléctricas e aos 12 montava (e desmontava) rádios e televisões. É inventor de Cós (um engenheiro, no sentido original do termo), tendo há pouco tempo inventado uma máquina automática de colar ceras para apicultura. É um expert em electrónica (repara só porque lhe dá prazer televisores que as lojas dizem não ter reparação e que de outra forma iriam parar ao lixo, o que faz dele um verdadeiro cidadão ecológico).

Sobre a obra: O Trabalho vencedor do 3º Prémio PRADBA é uma composição artística em vários sentidos notável. Combina não só arte e tecnologia mas também ecologia, reaproveitando de forma cuidada materiais residuais que vão desde os vulgares desperdícios de cabos eléctricos até às coloridas placas eletrónicas avariadas, resultando num efeito de grande riqueza cromática. Notável porque incorpora o conceito de arte interactiva, com a presença do observador a fazer com que a água de um rio, o rio de Cós, comece a correr no seu leito esculpido com resíduos de tubagem plástica. Notável também porque a sua ausência de perspectiva sugere uma abordagem naïf de um belo recorte visual. O acondicionamento geral da peça foi bem conseguido, o que não era fácil dada a sua complexidade. O mosteiro de Cós segue o mesmo recorte, e destaca-se pela imaginação posta na sua pormenorização. O autor está portanto de parabéns!

João Paulo Silva Santos, Membro do Júri e Chefe do Agrupamento de Escuteiros 522 Cós

1º Menção Honrosa PRADBA 2007

André Mesquita de Sousa Ferreira Valverde, “Redescobrir Cós” (Vídeo)

Nota biográfica: André Mesquita de Sousa Ferreira Valverde tem 22 anos de idade, é natural de Coimbra e reside em Alcobaça.

Sobre a Obra: O vídeo distinguido é uma bela obra criada com o objectivo de apresentação e divulgação do património histórico-cultural da região de Cós. A peça, com cerca de 25 aminutos de duração, revê a aldeia de Cós e a sua história, a Igreja da Misericórdia (de Santa Eufémia) e a Igreja, a Sala do Coro das Religiosas e a Sacristia do Mosteiro de Santa Maria de Cós, bem como a sua envolvente degradada. A peça revisita ainda outros elementos do património arquitectónico religioso da freguesia, designadamente a Fonte Santa, o Santuário de Nossa Senhora da Luz a Capela de Santa Marta, no lugar de Castanheira, e a Capela de Nossa Senhora da Graça, no lugar da Póvoa. A obra constitui assim um excelente documentário sobre a freguesia de Cós, com uma produção cuja qualidade é indiscutível. O esforço colocado pelo autor neste trabalho mereceu pois o reconhecimento do Júri que, no entanto, notou diversos problemas ao nível do texto do guião da locução. Como declarou o Dr. Pedro Penteado, Membro do Júri do PRADBA 2007, em nota apensa à Acta de Reunião nº 2 do Júri PRADBA 2007, o texto do referido guião “apresenta alguns erros graves de rigor histórico”, pelo que foi sugerida a sua revisão antes da sua difusão futura, num contexto mais vasto.

2º Menção Honrosa PRADBA 2007

Ricardo António Domingues de Campos, “Homo Credens” (Pintura)

Nota biográfica: Ricardo António Domingues de Campos tem 30 anos de idade e é natural e residente na Vila de Monção, distrito de Viana do Castelo.

Sobre a obra: O trabalho merecedor da 2ª Menção Honrosa do Prémio PRADBA consiste numa pintura sobre tela em que o/a artista utiliza a cor e a forma como meio de expressão da profunda simbologia religiosa que, ainda hoje, impregna a povoação de Coz. A Igreja do convento das monjas cistercienses constitui o tema central. Sobre esta, paira um Cristo crucificado, figura protectora e simultaneamente dominante, que se impõe a toda a restante figuração. A própria expressão « Homo Credens» remete o espectador para a atmosfera mística que a obra transmite. Dos fortes contrastes de luz (ocre) e sombra (negro), ressalta uma força expressionista que nos remete para a estética barroca, num ecletismo característico do actual pós-modernismo. Em conclusão: uma expressão poderosamente emotiva de Cós. Os meus parabéns pois ao autor.

Helena Barros, Membro do Júri do PRADBA 2007

Troféus Madalena Metelo PRADBA 2007

Melhor trabalho na Categoria de Vídeo: André Mesquita de Sousa Ferreira Valverde

Melhor trabalho na Categoria de Escultura: José Ribeiro Antunes

Melhor trabalho na Categoria de Desenho: Sérgio da Costa Cardina

Melhor trabalho na Categoria de Texto Literário: Marlene Correia Ferraz

Melhor trabalho na Categoria de Ensaio: Maria Hortense Martins Nunes

Melhor trabalho na Categoria de Pintura: Ricardo António Domingues de Campos

Melhor trabalho na Categoria de Fotografia: Nelson Mateus Fernandes

Fotografias da Cerimónia de Entrega dos Troféus e Prémios PRADBA


Troféus PRADBA da autoria da escultora Madalena Metelo

Da esquerda para a direita: Rui Xavier, Edite Barreiro, João Paulo Santos, José Antunes, Catarina Mateus, David Mariano e José Alberto Vasco


Vista da Audiência, com destaque para os membros da Comissão de Honra do PRADBA 2007

Intervenção de José da Silva, pároco das freguesias de Cós e Maiorga

Intervenção de Álvaro Santo, membro do Júri PRADBA 2007 e presidente da Junta de Freguesia de Cós

Sacos PRADBA

Intervenção de José Gonçalves Sapinho, Presidente da Câmara Municipal de Alcobaça


Audiência

José Alberto Vasco (Comissário do PRADBA) e Raquel Romão (presidente do Júri e representante do Projecto Cultural do Bazar das Monjas de Coz)

Teresa Rodrigues mostra a peça vencedora da 2ª Menção Honrosa PRADBA

Helena Barros, membro do Júri, após apresentar a declaração do Júri referente à 2ª Menção Honrosa

José Alberto Vasco, Raquel Romão e Edite Barreiro lendo a declaração do Júri referente à 1ª Menção Honrosa PRADBA

José Alberto Vasco e André Valverde, vencedor da 1ª Menção Honrosa PRADBA

Paulo Ascenso Mateus, vencedor do 3º Prémio PRADBA 2007, cumprimenta Raquel Romão, presidente do Júri

João Paulo Santos lê a declaração do Júri referente ao 3º Prémio, com Teresa Elias e Raquel Romão ao fundo

Nuno Monteiro faz a declaração do Júri referente ao 2º Prémio PRADBA não atribuído

Osvaldo Fernandes e Claude Mateus, autores do tema musical original do PRADBA "Simplex Oratio"

Claude Mateus e Osvaldo Fernandes, autores do tema musical original do PRADBA "Simplex Oratio"

Rosa Carreira revelando o vencedor do 1º Prémio PRADBA

José Alberto Vasco cumprimentando José Ribeiro Antunes, vencedor do 1º Prémio PRADBA 2007


Escultura "Oração" vencedora do 1º Prémio PRADBA 2007

Pormenor da escultura "Oração", vencedora do 1º Prémio PRADBA 2007

Escultura "Oração" vencedora do 1º Prémio PRADBA 2007

José Ribeiro Antunes, vencedor do 1º Prémio PRADBA 2007

Catarina Mateus lendo a declaração do Júri sobre a obra vencedora do 1º Prémio PRADBA

José Ribeiro Antunes, vencedor do 1º Prémio PRADBA 2007

"Mosteiro de Cós e um Rio", trabalho vencedor do 3º Prémio PRADBA 2007

No próximo sábado, dia 14 de Junho de 2008, será inaugurada pelas 16 horas, na Galeria Adega (gentilmente cedida pela artista de Cós Helena Barros), a exposição de uma selecção dos trabalhos dos 35 autores apurados para o PRADBA 2007. Estais todos convidados para esta exposição em que podeis apreciar a qualidade das obras apresentadas.

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Texto do discurso proferido pela Raquel Romão na sessão de abertura da Cerimónia de entrega dos prémios


(...)

As minhas primeiras palavras vão para uma pessoa muito querida que muito contribuiu para o Projecto Cultural do Bazar das Monjas de Coz, mas que infelizmente nos deixou no passado dia 13 de Fevereiro do corrente ano. O Sr. Joaquim Elias Jorge está ligado àquilo que hoje aqui nos traz, e estará também sempre ligado a este nosso projecto cultural, enquanto ele se mantiver, o que muito desejamos. Oxalá Deus nos ajude, nos dê saúde e fé para continuarmos. E à sua esposa, D. Rosa Carreira, e filha, Teresa Elias, aqui fica também o meu público pesar pela tão dramática perda, e o agradecimento por continuarem a apoiar um projecto que também é seu.

O Projecto Cultural do Bazar das Monjas de Coz, e concretamente este Prémio de Revelação Artística D. Benta de Aguiar, visaram desde o seu início, faz hoje exactamente 4 anos, contribuir para o estudo e a promoção do riquíssimo património cultural e natural da freguesia de Cós, e em particular desta nossa bela aldeia que tanto amamos. É aqui o nosso lugar; foi aqui que nascemos; os nossos entes queridos estão sepultados lá no cimo, no cemitério da aldeia, e era aí, junto a eles, quando por cá os nossos dias acabarem, que gostaríamos enfim também de repousar. Podemos ter viajado muito, conhecido muitos lugares e cidades, mas nada substitui este lugar mágico que nos prende e do qual não podemos nem queremos desligar-nos.

As palavras seguintes que gostaria de aqui deixar vão para todos aqueles que têm acreditado em nós e nos têm, de uma forma ou de outra, ajudado nesta difícil caminhada. Desde logo um agradecimento muito especial para a Paróquia de Cós, nas pessoas do Sr. pároco José da Silva e da D. Olívia, que desde o início nos têm apoiado e dado o ânimo suficiente para continuarmos a acreditar neste projecto. Acreditar também que é possível reverter a precária situação em que o nosso património cultural se encontra, e que se deve em última instância ao facto de sermos cada vez menos para cuidarmos dele. Acreditar que é possível ter um lugar e viver nele todos os dias, com uma entrega total aos costumes e às tradições que herdámos dos nossos pais e avós, acrescentando-lhe porém o novo e o bom que os nossos tempos trouxeram. Acreditar que a desertificação humana e a falta de crianças e de jovens nestas aldeias não são uma irreversibilidade. Acreditar na família, que é a base de toda a sociedade, e no trabalho criativo que nos realiza enquanto homens e mulheres que, acima de tudo, sonham.

Um agradecimento também muito especial ao nosso querido presidente da junta de freguesia de Cós, Álvaro Santo, que tão incansável tem sido na defesa dos interesses da nossa terra, e às demais instituições que designaram membros para integrarem o júri deste prémio: a Confraria do Santíssimo Sacramento da freguesia de Cós e o Agrupamento de Escuteiros 522 Cós. A todos eles o nosso muito obrigados!

Aos patrocinadores do prémio, nomeadamente a Caixa de Crédito Agrícula Mútuo de Alcobaça, e a todos quantos nos apoiaram financeiramente na dotação prevista para o PRADBA, o nosso muitíssimo obrigados também, pois as suas ajudas demonstraram um sinal de empenho com a cultura, essencial numa sociedade sustentável, além de que reduziram o esforço financeiro daqueles que, como nós, estão sempre limitados por esse bem tão escasso que é o dinheiro...

Também devemos um agradecimento a todos os órgãos da imprensa local e regional que gentilmente divulgaram este prémio, e a todos os jornalistas nossos amigos que sempre têm estado connosco desde o primeiro dia. Agradeço, e perdoem-me se esquecer algum, ao Região de Cister, ao Alcoa, ao Voz de Alcobaça, ao Jornal de Leiria, ao Jornal Região da Nazaré, ao Região de Leiria, às rádios Nazaré FM, Cister e Rádio Batalha; aos jornais digitais e blogues Terra de Paixão, do Mário Bernardes; Nas Faldas da Serra, do Comissário do PRADBA e nosso querido amigo José Alberto Vasco; Tinta Fresca, de Mário Lopes e ao caldense Oeste Online; Ao mensageiro diário e edificante Rogério Raimundo; ao Do Portugal Profundo do António Balbino Caldeira; entre muitos outros.

Não poderíamos deixar de agradecer o enorme talento e simpatia da Escultora alcobacense Madalena Metelo, espelhado no troféu PRADBA especialmente por si criado para este evento. É uma peça muito bela, que será entregue aos melhores trabalhos concorrentes de cada modalidade. Foi o nosso querido amigo e consagrado escultor José Aurélio que nos pôs em contacto com Madalena Metelo, e aqui fica também para ele uma saudação agradecida pela sua imensa disponibilidade e sincera amizade.

Ao Osvaldo Fernandes e ao Claude François, nossos conterrâneos e músicos por devoção, um agradecimento por terem aceite o desafio que lhes lançámos há alguns meses de comporem um trecho musical para marcar este dia, e que daqui a pouco ouviremos. Chama-se “Simplex Oratio”. Foi produzidos por eles recorrendo às mais modernas tecnologias de produção musical, e esperamos que apreciem. O prémio do Osvaldo e do Claude será o vosso aplauso.

À Câmara Municipal de Alcobaça agradecemos todo o apoio logístico e de divulgação deste prémio, e a maior atenção que tem vindo a dar desde há algum tempo para Cós e para a situação da envolvente deste seu Monumento ex-libris. A abertura temporária do Mosteiro ao público foi este ano um dado importante, mas é preciso que não fiquemos por aqui, pois há visitantes durante todo o ano e há muito mais a fazer no sentido de o promover e valorizar esta e outras tão belas peças do nosso património cultural.

As paredes deste Mosteiro são sagradas. Sagradas no sentido em que transpiram delas vozes e cantos ainda em grande parte por decifrar, e que nos remetem a épocas de antanho como a da abadessa D. Benta de Aguiar, patrona deste prémio e figura ainda envolta em grande mistério. Os anexos degradados que podeis ver em redor desta nave são também eles sagrados, pois as suas pedras querem falar connosco, contar-nos a sua imensa história; uma história feita de alegrias e sofrimentos, de penitências e orações; de clausura, de extrema simplicidade e de muitos trabalhos diários. É preciso pois que com amor saibamos ouvir o que dizem essas pedras.

Para nós, cristãos, o tempo não é linear. A natureza também não o é pois a vida acontece cíclica e repetidamente, os ciclos solares e lunares alumiam-nos e escurecem-nos, ao dia sucede a noite e à tristeza sucede tantas vezes a alegria. O nosso calendário repete-se, e todos os anos celebramos o Natal, a Páscoa e outros acontecimentos que marcaram a vida de Jesus de Nazaré, de sua mãe Maria e dos apóstolos. As coisas repetem-se, e daí acreditarmos que no passado podem estar muitas das soluções para os nossos problemas de hoje. Daí que gostássemos que qualquer obra a ser feita na envolvente deste Mosteiro o fosse com amor, com sensibilidade, com tempo.

Daí também que gostássemos que um dia fosse feita justiça às últimas monjas que daqui saíram, famintas e abandonadas à sua sorte, em direcção a Odivelas. Corria o ano de 1834 e os bens do Mosteiro eram arrestados pelo governo. Decretada a exclaustração iniciava-se um longo processo de abandono, destruição e ocupação daquilo que outrora havia sido um lugar de culto e de extrema dedicação a Deus. Que melhor justiça poderia fazer-se hoje àquelas dez mulheres que heroicamente compareceram ao arresto de bens, nesse fatídico dia 27 de Maio de 1834? Talvez o trazer-se de volta aqui à bela aldeia de Cós uma comunidade de monjas, devolvendo assim ao lugar o seu espírito.

Mas não me estenderei mais por agora, até porque ainda não agradeci aos proncipais protagonistas do acontecimento que hoje celebramos: são eles os concorrentes ao PRADBA, que nos presentearam com trabalhos cuja qualidade superou todas as nossas expectativas. Trabalhos que cobriram elém disso todas as modalidades apresentadas a concurso, e que, relembro, eram sete: Ensaio, Texto Literário, Pintura, Desenho, Escultura, Fotografia e Vídeo. O tema obrigatório era Cós e a sua freguesia, pelo que foi também com alegria que registámos o interesse mostrado por concorrentes oriundos dos mais diversos pontos do país, de Norte a Sul de Portugal, e alguns até do estrangeiro. Agradecemos pois a todos eles, premiados ou não, o seu verdadeiro esforço por tentarem conhecer melhor a nossa freguesia, descobrindo-a pelos seus próprios olhos. A sua participação honrou este prémio, e também conferiu mais responsabilidade àqueles que o venceram.

O trabalho do juri não foi por isso fácil, embora tivesse havido alguns trabalhos que de imediato impressionaram pela sua beleza. Eles serão aqui mostrados hoje, e estais desde já também convidados para a exposição da totalidade dos trabalhos concorrentes, que abrirá ao público na próxima semana, dia 14, na Galeria Adega, gentilmente cedida para o efeito pela nossa amiga, professora, membro do Júri do PRADBA e artista plástica de Cós, a Dra Helena Barros.

Falta talvez para terminar a minha intervenção, que já vai longa, dizer alguma coisa sobre o futuro deste prémio. O trabalho foi bastante mas foi também muito gratificante. Por isso julgamos que há possibilidades de caminhar para uma segunda edição, porventura com alguns ajustamentos em relação às modalidades postas a concurso. É algo que iremos estudar em conjunto, vendo o que se poderá vir a fazer. É claro que vos informaremos assim que houver desenvolvimentos nesse sentido.


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