Sábado, Junho 20, 2009

OCUPAÇÃO DE TEMPOS LIVRES DE CRIANÇAS E JOVENS NO CONCELHO DE ALCOBAÇA (E ARREDORES)

Nenhuma sociedade que se pretenda civilizada permite que as suas crianças e jovens passem inutilmente (por exemplo em casa, defronte da televisão ou do computador) os mais de dois meses de férias escolares de Verão que o nosso sistema educativo proporciona. É por isso dever de todos, das famílias, das organizações da chamada "sociedade civil" e das entidades com resposnabilidades políticas (nomeadamente câmaras municipais e juntas de freguesias) providenciar às crianças e aos jovens actividades de ocupação produtiva dos tempos livres, permitindo-lhes alargar os seus horizontes de conhecimentos e valorizarem-se pessoal e humanamente. É, infelizmente, bastante pouco o que existe nesta matéria no nosso concelho de Alcobaça, e nomeadamente para os adolescentes e jovens com idades superiores a 12 anos. Porque achamos inportante divulgar estas actividades, deixamos aqui algumas sugestões, e pedimo-vos que nos contactem caso saibam de alguma actividade ou programa existente.

Para além do Agrupamento de Escuteiros 522 Coz, que de há muito organiza várias actividades de Verão, incluindo o seu célebre acampamento, louvável é também o programa da ESDICA de ocupação de tempos livres que abaixo indicamos (carregar sobre a imagem para ampliar).

Também soubémos que a Academia de Múisica de Alcobaça vai organizar este Verão pequenos cursos de intrumentos musical, ligando assim de forma excelente a ocupação de tempos livres à cultura musical dos nossos jovens.




Do vizinho concelho da Nazaré chegaram-nos novas sobre actividades educativas para crianças e jovens, organizadas pelo no excelente Museu Dr. Joaquim Manso. Aqui ficam indicadas para quem estiver interessado. Obrigado, ao Museu, pela comunicação. E parabéns pelas iniciativas!


1. Como se veste a Nazaré
Oficina pedagógica - atelier

Actividade infantil dedicada ao traje tradicional da Nazaré. Após visita temática ao Museu, recorrendo a miniaturas de peças de vestuário e a actividades de expressão plástica, os participantes podem ficar a saber mais sobre a estrutura deste tipo de traje e o seu enquadramento socio-económico, associando a descoberta de conhecimentos ao gosto lúdico pela moda e o vestuário.

Público-alvo: 6 aos 10 anos
Data: a partir de 23 Junho
Horário (duração): Terça-feira e Quinta-feira, 90 minutos
N.º de participantes: 25 (máximo)
Marcação prévia
Inscrição gratuita

2. Aprender com o barro
Oficina pedagógica - Atelier

Através da utilização do barro, as crianças constroem a sua interpretação de elementos da cultura local constantes do percurso do Museu Dr. Joaquim Manso. Paralelamente, será explorada uma pequena exposição didáctica sobre o emprego do barro nas artes de pesca e sobre uma antiga olaria existente na Nazaré.

Colaboração do Museu de Cerâmica, das Caldas da Rainha.

Público-alvo: 6 aos 10 anos
Data: Julho de 2009
Horário (duração): Quarta-feira e Sexta-feira, 90 minutos
N.º de participantes: 25 (máximo)
Marcação prévia
Inscrição gratuita

3. "(Re) Descobrir a Nazaré"
Visitas guiadas

Através de visitas guiadas e da partilha de saberes e memórias, o público pode (re) encontrar-se com a identidade cultural da Nazaré.

Público-alvo: público sénior
Data: Julho de 2009
Horário (duração): Terça a Sexta-feira - 40 minutos
N.º de participantes: 25 (máximo)
Marcação prévia
Inscrição gratuita

CONTACTO:

Museu Dr. Joaquim Manso
Rua D. Fuas Roupinho - Sítio
2450-065 Nazaré
telef. 262562801
fax. 262561246
e-mail: mdjm@imc-ip.pt mdjm.directora@imc-ip.pt>
http://mdjm-nazare.blogspot.com

O Armazém das Artes, em Alcobaça, promove também este Verão uma interessante iniciativa para ceianças dos 6 aos 12 anos. Trata-se de uma Oficina de Pintura, espaço que permitirá estimular nas crianças o gosto pelas artes. É mais uma iniciativa a saudar no nosso concelho!


(carregue aqui para ir oara o Armazém das Artes)

Etiquetas: ,

Terça-feira, Junho 16, 2009

1º Encontro Rosa Esperança. Será em Fátima, no dia 21 de Junho






Vai ser um dia memorável... não faltem.

Etiquetas: ,

Segunda-feira, Junho 08, 2009

EXPOSIÇÃO "QUOTIDIANO" DE FOTOGRAFIAS DE NELSON FERNANDES, INAUGURA DIA 13 DE JUNHO, ÀS 15 HORAS

(carregue sobre a imagem para ampliar)

Deixamos aqui, em baixa resolução, uma pequena mostra da belíssima fotografia deste jovem artista da nossa terra. Esperamos que vos aguce o apetite por esta exposição...

(c) Nelson Fernandes, 2009

(c) Nelson Fernandes, 2009

(c) Nelson Fernandes, 2009

(c) Nelson Fernandes, 2009

(c) Nelson Fernandes, 2009

(c) Nelson Fernandes, 2009

Mais fotografias do Nelson Fernandes podem ser visualizadas aqui.

Etiquetas: , , , ,

Domingo, Junho 07, 2009

A Junta de Freguesia de Cós tem novo site, mas ideias nem por isso

Soubémos hoje que a Junta de Freguesia de Cós tem um novo site. Fica aqui a ligação para o mesmo. E fica ainda o texto da mensagem que deixámos na respectiva "caixa" de sugestões. Achamos importante que se saiba como se trabalha em Portugal com a eufemisticamente chamada "sociedade civil". Os juízos fá-los-á cada um a seu modo.

Exmos Srs.,

Gostaríamos de começar por referir o facto, em nosso entender lamentável, de não haver no vosso site qualquer referência aos 5 anos de actividade cultural do Bazar das Monjas de Coz. Actividade essa feita sem qualquer apoio financeiro estatal e que tem vindo a ser abundantemente referida na imprensa local e regional. O mesmo já vinha acontecendo, aliás, com o vosso boletim informativo. Como somos filhos de boa gente, sentimos com mágoa a injusta omissão. Não podíamos pois perder a oportunidade de deixar aqui registado o nosso desagrado. Não é com esta arrogância que se constrói uma sociedade melhor e mais justa. Como sabem, ou deviam saber, o Bazar das Monjas teria tido todo o gosto em contribuir para este trabalho com algum do muito material que possui sobre a freguesia. Bastava para tal que nos tivessem contactado. Não o fizeram e não compreendemos porquê. Estamos, como sempre estivémos, disponíveis para colaborar em tudo o que seja benéfico para a nossa freguesia.

Para que não fique apenas esta nota de desagrado, deixamos ainda como sugestões de melhoria do (vosso) site as seguintes:

1 - Disponibilização de uma versão do site em língua inglesa;
2 - Referência a projectos culturais concretos desenvolvidos pelos vários agentes, incluindo colectividades e empresas;
3 - Referência a actividades de ocupação dos tempos livres de crianças e jovens promovidas pela Junta de Freguesia ou por outras entidades da mesma;
4 - Referências à ZICA, aos seus aspectos ambientais, e aos contributos das suas empresas para a comunidade local;
5 - Inclusão de ligações para outros sites de empresas e organizações da freguesia;
6 - Disponibilização de formulários online para pedido de licenças, autorizações e declarações que são da responsabilidade da Junta de Freguesia;
7 - Dados sobre o estado do ambiente da freguesia;
8 - Disponibilização de um mapa da freguesia com indicação dos principais pontos e locais de interesse;
9 - Disponibilização de relatórios, documentação e materiais de estudo sobre a freguesia;
10 - Um maior desenvolvimento e cuidado na preparação dos textos históricos que são apresentados.

Sem outro assunto de momento,

Cós, 8 de Junho de 2009

Raquel Romão
Valdemar Rodrigues

P.S. Não sendo políticos os objectivos que prosseguimos, não podemos deixar de notar, em relação aos Orçamentos e Contas da Junta de Freguesia de Cós, disponibilizados aqui, alguns aspectos que são politicamente relevantes. Restringimos esta análise à "leitura" da execução orçamental prevista no Plano Plurianual de Investimentos, em áreas e/ou domínios aos quais somos particularmente sensíveis, para o ano de 2008. Veja-se o resultado:

Cultura (zona envolvente do Mosteiro): Montante Previsto - 7.500 Euro; Montante Executado: 0 Euros; Taxa de Execução: 0%
Desporto, Recreio e Lazer (zona do Vale do Amieiro): Montante Previsto: 2.500 Euro; Montante Executado: 0 Euros; Taxa de Execução: 0%

De notar que estes investimentos, sendo pequenos face ao que a freguesia necessitaria, estão na categoria de Administração Directa, pelo que a sua não execução é da exclusiva responsabilidade da Junta de Freguesia. A atenção à cultura e ao desporto (para não falar do ambiente...) medem-se desta forma. Não é por serem pequenos que os gestos deixam de mostrar a "natureza" de quem os executa. O relatório também pode ser descarregado aqui.

Sexta-feira, Junho 05, 2009

MESSIAEN QUARTET em Cós

7 de Junho - domingo - 18 horas - Convento de Santa Maria de Cós
Piano, Violino, Violoncelo e Clarinete 5 euros
MESSIAEN QUARTET
Alexei Mikhailenko (clarinete), Ksenia Berezina (violino), Nicolai Chugaev (violoncelo), Zlata Chochieva (piano)
(1.º Prémio - Categoria B [média de idades até 30 anos] - do 1.º Concurso Internacional de Música de Câmara ‘Cidade de Alcobaça’)
Olivier Messiaen: Quatuor pour la fin des temps

LÁ ESTAREMOS!

Terça-feira, Maio 26, 2009

Bazar das Monjas de Coz comemora o seu 5º Aniversário com a Exposição "Quotidiano", de Fotografias de Nelson Fernandes

(carregue sobre a imagem para ampliar)

O Bazar das Monjas de Coz faz 5 anos de idade, e não podia deixar de celebrar a ocasião. Desta vez vamos ter a Fotografia e um conjunto de trabalhos de excepcional qualidade realizados por um jovem de Cós de grande talento, o Nelson Fernandes, cuja obra teve já o reconhecimento do PRADBA em 2007. Todos os nossos amigos e visitantes estão por isso desde já convidados para a cerimónia de inauguração da exposição, que terá lugar no próximo dia 13 de Junho, pelas 15 horas, no Bazar das Monjas.

Sábado, Maio 23, 2009

Poema para a Teresa Elias


Até à Eternidade, Teresa


O que somos nós nesta vida?

Muito fracos disso tenho a certeza,

Jamais venceremos a morte

Mesmo lutando com toda a esperteza.


A lei para nós humanos,

Seria morrer velhinhos

Mas, o Senhor Supremo diz:

Que não mandamos sozinhos.


Ó amor da minha carne,

A tua vida foi um sofrimento…

Aceitaste esse caminho e luta,

Com muito pouco lamento.


No ano passado foi

O teu pai que nos deixou,

Agora partiste tu,

Na terra, mais pobre estou.


Sei que sou egoísta,

Mas, sei que Deus faz o melhor

Pois se continuassem a sofrer

Seria, para todos, muito pior.


Mas, ao mesmo tempo,

Venho aqui perguntar,

Que quer Deus de mim,

Ao fazer-me, por isto, passar?


Muito havia para dizer,

Já não sei o que pensar,

Peço ajuda ao Senhor

Para O continuar a amar.


Só me resta agradecer aos amigos,

Não fazendo nenhuma excepção.

Obrigada pela vossa solidariedade,

Para todos, um grande chi-coração!


Rosa Carreira Jorge

Etiquetas:

Segunda-feira, Maio 18, 2009

II Rota de Cister - Passeio de Ciclomotores e Motociclos Antigos

Um evento, em segunda edição, que tem o grande mérito de permitir o contacto com a beleza natural da nossa região. Uma forte saudação, portanto, e os votos para que continue... nesta boa rota!

Etiquetas: , ,

Domingo, Maio 10, 2009

JORNADAS SOBRE PATRIMÓNIO CULTURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO - CONCLUSÕES DA JORNADA

Damo-vos aqui a conhecer as Conclusões das Jornadas sobre Património Cultural e Desenvolvimento Sustentável - Caminho Real. Sobre o assunto, Valdemar Rodrigues escreveu um artigo intitulado "Cultura e sustentabilidade: o caso da Nazaré", que pode ser descarregado aqui. De realçar o magnífico trabalho dos promotores do evento (Engº Rui Remígio, Dr., Pedro Penteado e Dr. Paulo Fernandes) e da fantástica equipa local da Organização. Os objectivos alcançados. sob a forma de um verdadeiro manifesto de comunhão de vontades visando a preservação e a valorização do riquíssimo património cultural de que todos somos herdeiros, irão certamente dar os seus frutos Parabéns pois a todos, e até já!

CONCLUSÕES DAS JORNADAS SOBRE PATRIMÓNIO CULTURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO

SOBRE A RELEVÂNCIA HISTÓRICO-SOCIAL
–Ultrapassa a dimensão local;

SOBRE O ESTUDO

SOBRE A PROTECÇÃO

SOBRE EVENTUAIS PROJECTOS DE VALORIZAÇÃO


Texto de conclusões (1.ª versão), por:
Paulo Fernandes
Pedro Penteado
(com a colaboração de José R. Sirgado)

Etiquetas: ,

Domingo, Maio 03, 2009

JORNADAS SOBRE PATRIMÓNIO CULTURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO

(carregue sobre a imagem para aceder ao Blog Património Cultural da Nazaré)

O Bazar das Monjas de Coz vem por este meio convidar-vos a participar nas JORNADAS SOBRE PATRIMÓNIO CULTURAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTADO - Caminho Real da Pederneira – Itinerário histórico-religioso, que terão lugar aqui bem perto de nós, na bela Cidade da Nazaré, no próximo dia 9 de Maio de 2009, no Círculo Cultural Mar Alto (junto ao Hotel Nazaré), a partir das 10:00.

(carregue sobre a imagem para descarregar o Programa Definitivo do evento)

Foi criado um Blog, Património Cultural da Nazaré, através do qual poderão ser acompanhados os trabalhos destas Jornadas, o qual conta já com diverso material de interesse, incluindo os resumos de algumas das Comunicações que irão ser apresentadas.

O Bazar das Monjas de Coz saúda vivamente este encontro que, em sua opinião, constitui um marco importante para o lançamento de um debate nacional cada vez mais instante, sobre Património Cultural e Desenvolvimento Sustentável. Contamos pois com a vossa presença e com o vosso apoio, designadamente ao nível da Divulgação.

Com os melhores cumprimentos,

Raquel Romão
gestora, Bazar das Monjas de Coz

Etiquetas: , ,

Terça-feira, Abril 28, 2009

Espectáculo "Rosa, Esperança", dia 2 de Maio, no Cine-Teatro de Alcobaça pelas 21:30 horas

Um muito interessante e louvável projecto de mulheres unidas pela circunstância de sofrerem de cancro da mama: uma terrível doença que em Portugal mata em média 4 mulheres por dia. Um projecto já com história, que pode ser consultada aqui, a merecer todo o nosso apoio e solidariedade, e que agora nos visita em Alcobaça para um espectáculo que tudo indica será bem-humorado e memorável. A mostrar como o sentido de humor nos pode ajudar a atravessar mesmo as piores dificuldades da nossa vida. O Bazar das Monjas associa-se a esta iniciativa, e convida todos os seus amigos e visitantes a estarem também presentes. É desta forma simpática que as próprias anunciam o evento:


(carregue na imagem para ampliar)

Etiquetas: ,

Domingo, Abril 19, 2009

Carta Europeia dos Mosteiros e Sítios Cistercienses, Mosteiro de Alcobaça, 1-3 Maio 2009

(carregue na imagem para ampliar)

Etiquetas: , ,

Quinta-feira, Abril 02, 2009

José Alberto Vasco publica “Uma Noite de Insónia”

José Alberto Vasco reedita em livro conto histórico "Uma Noite de Insónia", após a sua publicação no ciberjornal Tinta Fresca e no seu Blogue Nas Faldas da Serra.

O lançamento do conto histórico “Uma Noite de Insónia” vai realizar-se em Alcobaça, no Armazém das Artes, no dia 25 de Abril, às 16h30. O conto foi inicialmente publicado em Abril e Maio de 2002 no jornal digital Tinta Fresca, tendo sido reeditado, já na sua edição ne varietur, em Abril de 2006, no blogue “Nas Faldas da Serra”. Publicado agora em formato analógico, em edição ne varietur, com chancela da Papiro Editora, do Porto, o livro, inspirado na revolução do 25 de Abril, será apresentado pela animadora cultural Raquel Romão e pelo professor universitário Valdemar Rodrigues.

O Bazar das Monjas associa-se pois a mais esta notável iniciativa cultural, no dia em que se comemora mais um aniversário (o 35º) da Revolução dos Cravos, data que viria, a par do 25 de Novembro de 1975, a marcar idelevelmente o futuro dos portugueses e dos seus irmãos africanos e orientais das então províncias ultramarinas integrantes do império colonial português. Convidamo-vos pois a todos a estarem presentes nesta sessão.

Etiquetas: ,

Segunda-feira, Março 30, 2009

Um evento, na Nazaré, a não perder

(carregue sobre a imagem para ampliar)

Etiquetas:

Sábado, Fevereiro 14, 2009

Evocação de Joaquim Elias Jorge

Fonte da imagem: aqui.

Evocar a figura de Joaquim Elias Jorge (10 de Abril de 1949 – 13 de Fevereiro de 2008) é um acto simultaneamente fácil e difícil: Se é com prazer – e com a consequente facilidade – que se fala de um Amigo, é também com enorme incomodidade que verificamos que as palavras ficam sempre muito àquem daquilo que foi a sua postura perante a vida, em suma, daquilo que foi o seu exemplo.

No início de 1971, encontrava-me na bonita cidade de Nampula, em Moçambique, pode dizer-se que, «como peixe na água». Ao cabo de dois anos de comissão militar, o serviço era agora menos apertado, pois estava a passá-lo gradualmente para o meu substituto, que tinha acabado de chegar e já se encontrava em funções. Por isso, já podia terminar tranquilamente o meu curso de pilotagem que iniciara uns meses antes no Aeroclube de Nampula; mesmo assim, ainda havia tempo para passear por toda aquela inesquecível zona, deslumbrante e estranha na sua riqueza paisagística, acolhedora na afabilidade das suas gentes.

Não tinha pressa em regressar. Nampula tinha-se tornado numa cidade muito movimentada. Sede do comando militar e do seu quartel-general, aqui afluíam milhares de militares de todas as proveniências e para todos os destinos. Nesse numeroso conjunto, um «velho» amigo e condiscípulo recém-chegado a Moçambique deu-me o privilégio de conhecer o Joaquim Elias Jorge com quem viajara, no paquete «Infante D. Henrique» de Lisboa para Lourenço Marques, hoje Maputo, e em avião «Boeing 737» das Linhas Aéreas Locais (DETA), desta cidade para Nampula.

Fonte da imagem: aqui.

Uma das primeiras características que observei no Joaquim Elias Jorge foi a sua enorme curiosidade por tudo o que o cercava. A sua paixão pelos aviões decorreu do «baptismo de voo», a tal viagem em «Boeing 737», até Nampula, com escala pela Beira, ao lado do citado «velho» amigo, o Vaz Palma, já nessa época um piloto experimentado e um magnífico comunicador. Mas a vivacidade do espírito de Elias Jorge não se ficou por aí.

Chegado a Moçambique, cedo se apercebeu de que tudo aquilo que a sua perspicaz retina captava tinha de ser registado. Dedica-se então, com todo o entusiasmo, à fotografia, onde denota um apurado sentido estético. O rigor formal preocupa-o, mas sempre com a mente naquilo que mostraria ao longo de toda a sua vida: poder dar aos outros algo de si próprio. Que significado podia ter a fotografia para uma mente tão generosa se não pudesse partilhar aquilo que tanto o sensibilizava? Com efeito, ao mesmo tempo que reunia um valioso espólio fotográfico, sonhava com a possibilidade de poder expô-lo, após o seu regresso de Moçambique. Mas como o tempo passado no meio de amigos corre, depressa chegou o mês de Maio que me trouxe de volta, mal pensava eu que, em Dezembro de 1972, iria iniciar outra comissão, novamente na cidade de onde saíra: Nampula.

A satisfação era grande por ir reencontrar alguns dos amigos que deixara um ano e meio antes. O Elias Jorge mantinha a curiosidade que já evidenciara pela terceira dimensão, mas agora tudo era mais consistente, por via das demoradas conversas com o Vaz Palma sobre assuntos aeronáuticos, das muitas horas passadas no Aeroclube de Nampula e das «voadelas» nos seus aviões. Dentro das poucas horas de merecido descanso, a fotografia continuava a apaixoná-lo. Como se as 24 horas do dia fossem elásticas, ainda se deixou seduzir por outra actividade, o tiro desportivo, modalidade que praticou com resultados assinaláveis. Sem desprimor para outras modalidades desportivas, no tiro cada praticante compete consigo próprio, longe dos aplausos dos estádios cheios. É um desporto para pessoas discretas, como ele sabia ser.

Esta minha segunda ida para Moçambique despertou-me o interesse pelo coleccionismo de conchas marinhas, motivado pela proximidade de um litoral muito rico e pelo exemplo de um familiar que no mesmo local, uns anos antes, reunira um importante e diversificado acervo. Este meu interesse contagiou o Elias Jorge. Estou a ver a sua satisfação durante as nossas «expedições» à ilha de Moçambique. Agora não era só o património arquitectónico e o contacto com as pessoas aquilo que estava no seu pensamento: era também o desbravar de um mundo subaquático muito diferente daquele que observara nas nossas águas temperadas. Não esqueço que a Cypraea vitellus que tenho na minha colecção foi apanhada por ele. E não esqueço sobretudo o genuíno contentamento que manifestou ao saber que ainda não tinha aquela espécie.

Fonte da imagem: aqui.

Entretanto, o Elias Jorge completa os seus dois anos de comissão, deixa Moçambique deixando também um sentimento de saudade nos muitos amigos que, com facilidade, reunia à sua volta. Nas infindáveis conversas que mantínhamos estava sempre presente a partilha de experiências, onde o Elias Jorge mostrava a sua disponibilidade para aprender sobre os temas em que não era tão versado, como o entusiasmo para ensinar sobre os assuntos em que os seus conhecimentos eram profundos. Estou a lembrar-me, por exemplo, de o escutarmos com agrado e atenção, sobre as técnicas de enxertia entre muitos outros assuntos ligados à agricultura.

Os momentos de convívio que mantivemos após o meu regresso, embora espaçados pelos condicionamentos que a vida nos impõe, foram sempre momentos vividos com intensidade, quer na sua casa, quer na minha. A boa disposição nunca faltou, mesmo se falássemos de assuntos que nos preocupavam: a serenidade e resignação com que aceitava todas as vicissitudes da vida eram surpreendentes; a preocupação com o bem-estar dos outros, uma constante.

Ao pé do Joaquim Elias Jorge, ninguém se podia sentir infeliz. Nunca é demais sublinhar, por isso, o seu lema de vida: «FAZEI-ME O FAVOR DE SERDES FELIZES».

Fonte da imagem: aqui.

Uma vez, em sua casa, olhou para os meus netos e pensou naquilo que, pude adivinhar, lhe ia na mente: falta, aos miúdos da cidade, uma percepção mais nítida da natureza. Disse-me então: – leva lá estas duas favas, arranja um vaso, põe cada um a semear e a cuidar da sua planta e convida-os a acompanhar o respectivo nascimento e desenvolvimento. Assim foi e a partir daí, todos os anos cumprimos o «ritual» que começa em Novembro e termina em Abril. O Guilherme, dizia-me, dentro do espírito infantil próprio dos seus três anos: – avô, a flor da fava parece uma zebra. Que observação! Realmente, no exuberante mundo da Natureza, a flor da fava, tal como a zebra, são das raras entidades que se mostram na sua singeleza do preto-e-branco. Assim, uma proposta carregada de Pedagogia, deu lugar a uma atenta reflexão. Não nos esqueçamos de que, antes de cumprir o serviço militar, o Elias Jorge fora professor de Trabalhos Oficinais na Escola Industrial e Comercial de Estremoz, cidade alentejana que também o apaixonou. Mostrava-o claramente pela vivacidade com que recordava essa página do volumoso livro que foi a sua vida.

O desaparecimento físico do Joaquim Elias Jorge constituiu uma perda irreparável para os familiares e também para os inúmeros amigos que deixou. Todavia, para mim que acredito, como ele acreditava, numa vida para além da vida, a dor é atenuada pela certeza de que o seu espírito estará em bom lugar!

José Manuel Pedroso da Silva

[zedaota@gmail.com]

Etiquetas:

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

1 Ano de Saudade...



Já faz um ano

A treze de Fevereiro

O dia que deixaste de ser

O nosso companheiro


Porque os anos de vida

Tinham de ser tão poucos?

Só pela nossa fé em Deus

Os porquês não nos deixam loucos.


Da tua partida repentina

Só Deus sabe a dor.

Mas está sempre connosco

A tua dedicação e amor.


Sabes bem que a tua falta

Deixou a nossa alma penosa.

Mas roga junto de Deus

Pelos teus amores João, Teresa e Rosa.


Rezaremos pelo teu descanso eterno

Celebrando Missa no Mosteiro de Cós

Às dezanove horas de dia treze de Fevereiro

Que a Deus e aos amigos, chegue a nossa voz.


Rosa, Teresa e João Elias

Etiquetas:

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

O TERRA DE PAIXÃO, e o seu criador MÁRIO BERNARDES, estão de PARABÉNS!!!

Está de PARABÉNS (5 anos!) esse incontornável blog alcobacense que é o TERRA DE PAIXÃO, do nosso amigo Mário Bernardes. E venham mais cinco, como dizia o Zeca....

Etiquetas:

A Educação, a bateria e a especialização

Costuma dizer-se, "quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão". É verdade. Falar de educação podem e devem aqueles que sabem, e é esse o caso do Prof. Mário Lopes que, além de professor, pratica há muito o louvável papel de Cidadão, com C maiúsculo, dirigindo um orgão de comunicação social, o Tinta Fresca, onde vai fazendo a leitura do "tempo que corre" e dando.nos a todos um exemplo de inteligência e de cidadania, próprio de sociedades avançadas. Deixamos aqui um texto seu que, para nós, constitui uma das mais completas e profundas peças de reflexão sobre o estado da Educação em Portugal que até agora nos foi dada a ler. Na primeira pessoa, como convém àqueles que não temem. Parabéns pois Mário Lopes, e o nosso Obrigados!

A Educação, a bateria e a especialização
por
Mário Lopes
Professor


Ao contrário da Economia, da Justiça ou da Saúde, em que são habitualmente chamados a pronunciar-se os profissionais da área respectiva, na Educação todos se sentem habilitados a dar palpites sobre o sector e sobre as reformas que são ou não necessárias. Cada vez mais, o estatuto da Educação se assemelha ao do futebol: como toda gente deu pontapés na bola na infância e na adolescência, acha que domina a arte de colocar a bola no fundo da baliza. Na Educação, também todos passámos pelos bancos da escola e/ou somos pais e, por isso, nos sentimos habilitados a dar palpites sobre Educação e a fazer os mais definitivos diagnósticos sobre o sector.

Basta ligar a televisão ou um qualquer jornal, para vermos políticos, economistas, psicólogos, psiquiatras, advogados, jornalistas ou fabricantes de garrafas a pronunciarem-se de cátedra sobre o assunto. E aqui reside o principal erro que se comete em Portugal em matéria de Educação. Há a ideia generalizada de que este não é uma matéria que exija especialização. Contudo, qualquer professor consciente sabe que, pelo contrário, é um sector que exige uma enorme especialização e experiência. Há muitos anos atrás, quando um grupo de adolescentes queria formar uma banda de garagem, quem ficava a tocar bateria era quem não sabia tocar nenhum outro instrumento. Hoje a bateria é motivo de teses de mestrado, mas numa época de pouco conhecimento considerava-se que qualquer pessoa era capaz de dar umas batidas nos pratos. Na política portuguesa também é assim: para ministro da Justiça escolhe-se um advogado ou um juiz, para a pasta da Economia escolhe-se um economista, para a pasta da Saúde vai um médico ou professor de Saúde Pública. Para a Educação, vai qualquer um. Não é necessário nem especialização nem o conhecimento do sector. Extraordinário!

Ninguém se lembraria de escolher um veterinário para ministro das Finanças, mas toda a gente achou natural que a economista Manuela Ferreira Leite ascendesse à pasta da Educação. Também toda a gente achou normal que os engenheiros mecânicos Couto dos Santos e Marçal Grilo (este com algum contacto com o sector) passassem a inquilinos do prédio da 5 de Outubro. Ou que David Justino, autarca e professor do ensino superior, ocupasse as mesmas funções.

Nada mais pacífico, por isso, que Santana Lopes tivesse convidado uma especialista de telecomunicações para o cargo, com os resultados trágicos que se conhecem. Posto isto, quem se admiraria ao ver José Sócrates convidar uma professora de Sociologia, sem qualquer currículo conhecido na área do ensino básico ou secundário para o cargo? Aliás, parece que todas as profissões dão excelentes currículos para ministro da Educação, excepto uma: a de professor dos ciclos de ensino respectivos!

Quando foi conhecido o nome de Maria de Lurdes Rodrigues para a pasta da Educação, todos se interrogaram quem seria a nova titular, uma vez que ninguém a conhecia. Além de algumas obras publicadas, que nada tinham a ver com o ensino secundário, sabia-se que era presidente do Observatório das Ciências em Portugal. Contudo, logo os jornalistas descobriram uma "qualidade" na nova ministra que a qualificava para o cargo: era conhecido o seu mau feitio. Não demorou muito a que os portugueses demorassem a descobrir que o critério "mau feitio" era extensivo aos seus secretários de Estado. Um critério, no mínimo estranho, numa pasta que envolve milhões de pessoas e em que a capacidade de comunicação deveria ser prioritária.

Existem quase 150 mil professores em Portugal a trabalhar no ensino básico e secundário, mas, ao que parece, nenhum sabe suficientemente de educação para desempenhar o cargo. É caso para perguntar o que fazem estes milhares de professores durante dias, meses, anos ou décadas de profissão. Se dia após dia, não se estão a especializar em Educação, então o que estão a fazer? Aprender a fazer horários, conciliando uma complexidade de factores, não é especialização? Dirigir uma escola não é especialização? Gerir uma turma de alunos desestruturados não é especialização? Contudo, parece que em Portugal, todo este conhecimento fundamental não habilita nenhum dos profissionais de Educação a dirigir o ministério respectivo. Extraordinário!

Ao invés, parece que o que habilita alguém para o cargo é nunca ter dado uma aula na vida no sector que vai dirigir! Ou que não faça a mínima ideia do que sejam as dinâmicas dentro de uma sala de aula. Não será esta sistemática ostracização dos professores, afinal, uma falta de consideração da classe política para com os profissionais de Educação deste País? Como se pode conceber que conhecer o sistema por dentro nada valha para a classe política? Como se admite que, se não me falha a memória, nem um único professor tenha sido convidado para ocupar o cargo de ministro ou de secretário de Estado neste País nas últimas décadas? Será que aos professores do ensino básico e secundário está reservado o estatuto de menoridade mental e profissional, apesar das provas de bom senso que revelam todos os dias?

Com o devido respeito, enquanto cidadão, considero que os professores têm cumprido incomparavelmente melhor as suas funções do que a classe política. Se alguma dúvida houvesse, bastaria ver o estado em que encontra este País. Por outro lado, convém lembrar que a responsabilidade das políticas educativas erráticas e inconsequentes é da classe política, não dos docentes, que apenas as executam

As estatísticas e o sucesso educativo

Os portugueses têm assistido, com alguma perplexidade, às queixas da senhora ministra da Educação sobre as taxas de insucesso e abandono escolar. Afinal, a um ministro da República não se pede que se queixe, mas que resolva os problemas. Para isso tem, primeiro, de conhecer a realidade. Contudo, os argumentos que a senhora ministra e os seus secretários de Estado têm trazido para a comunicação social mais não revelam que um profundo desconhecimento do trabalho produzido nas escolas.

As questões são simples e quem está no terreno conhece as soluções há muitos anos. O entendimento entre os professores não é difícil e, regra geral há consenso sobre a forma de resolver os problemas. Aliás, os profissionais, seja qual for o ramo de actividade, conhecem sempre muito bem os problemas da sua área de actuação e, por isso, as soluções também são geralmente consensuais. As dificuldades surgem quando aparecem políticos, que não conhecem a verdadeira dimensão dos problemas, a Governar sectores que não dominam. O resultado traduz-se invariavelmente em contestação dos profissionais em causa e medidas avulsas e inconsequentes. Há anos que os professores deitam as mãos à cabeça com as medidas apresentadas pelos sucessivos governos, cada uma pior que a outra. Com a sua proverbial paciência, professores e conselhos executivos tentam implementar o que, muitas vezes, não tem qualquer viabilidade ou aderência à realidade. Se a autonomia das escolas lhes permitisse rejeitar muitas das directivas absurdas que lhes chegam anualmente, por certo, muito dinheiro pouparia o País e muita eficácia ganhariam as escolas.

Mas vamos às queixas da senhora ministra. Para responder a estes questões, não precisamos de comissões de sábios ou de espertos (tradução livre do Inglês), qualquer professor esclarecido conhece as soluções. Porque é que os alunos não completam o 12o ano? A resposta é curta e simples: o elevado grau de abstracção dos actuais programas do 12º ano não é compatível com o perfil de uma parte significativa da população escolar. O problema não está nos alunos nem nos professores nem nos pais nem sequer no sistema de ensino, mas nos programas, que foram criados com a função de preencher anos pré-universitários. Ora, quem não tem perfil universitário - e são muitos - também não tem perfil para frequentar o actual 12º ano. Se o País quer que a generalidade dos alunos completem o 12º ano tem de lhes propor outras competências, de menor abstracção e complexidade, seja através de cursos profissionais ou outros. E ponto final.

Volto à questão da necessidade de especialização da escola. O Ministério da Educação olha para a população escolar como uma massa uniforme e, por norma, propõe soluções universais para problemas bem distintos. Erro crasso. Já dizia, Descartes que os problemas complexos se devem decompor em problemas simples, para que se possam resolver.

Ora, com a democratização do ensino, toda a população jovem passou a ter acesso à escola. E com ela chegaram novos problemas às escolas que exigiriam soluções diferenciadas. Contudo, o Ministério da Educação continua a comportar-se como se a população escolar tivesse a mesma homogeneidade de há 30 anos. Não tem. A população escolar de hoje é altamente heterogénea, uma consequência da universalidade do ensino.

Os três nós górdios do ensino secundário

1) O atraso mental ligeiro

Numa linguagem simplificada, eu diria que há três tipos de novos utentes que acederam à escola nas últimas duas ou três décadas e que têm sido ignorados pela classe política. Uma dessas classes, de que nunca se fala, é a população escolar menos favorecida intelectualmente. Não há que ter pudor ou vergonha em falar no assunto, eles existem, há que assumir essa realidade. Há 30 anos, não passavam do 1º ciclo, hoje frequentam o terceiro ciclo e pretende-se que cumpram no futuro 12 anos de escolaridade.

A população escolar não deve ser dividida numa grande maioria, inteligente, e numa pequena minoria, deficiente. Não. Há uma fatia intermédia da população escolar que, não sendo considerada deficiente, possui, no entanto, o que definiria, ainda que sem rigor científico, como grau de atraso mental ligeiro. Todavia, não é politicamente correcto admitir que existem alunos intelectualmente limitados, todos preferem assobiar para o lado e fingir que o problema não existe. Por certo, até hoje nenhum ministro da Educação se lembrou de pedir o perfil da população escolar em termos de Quociente de Inteligência (QI). Seria um exercício interessante confrontar esses resultados com as exigências dos programas escolares. Ora, o Ministério da Educação continua a exigir a estes jovens menos dotados intelectualmente aquilo a que eles não conseguem corresponder. Numa estimativa meramente empírica, baseado na minha própria experiência de professor, diria que esta população não andará longe dos 10%, o que, concordemos, é um número muito significativo.

Na minha opinião, há que olhar para este problema de forma integrada pois os cursos profissionais apenas o resolverá em parte. Não esqueçamos que, num mundo globalizado, cada vez se exige mais dos profissionais, seja qual for a área. E hoje, exige-se muito a um electricista, um jardineiro ou um mecânico, bem mais do que estes alunos poderão eventualmente dar. Por isso, mesmo depois de formados, dificilmente estes jovens poderão competir de igual para igual no mercado de trabalho. As limitações intelectuais não desaparecem só porque frequentaram cursos de formação e, por isso, seria importante que o Governo criasse bolsas de trabalho protegidas, quer no Estado quer no sector privado, através de protocolos com as empresas. Não entendo, por exemplo, porque é que pessoas com QI médio ocupam postos de trabalho no sector da limpeza, quando este, por ser menos exigente, deveria ser um sector de mercado de trabalho protegido dirigido para pessoas de QI baixo, que dificilmente conseguirão emprego estável noutras áreas. O que a sociedade não pode é marginalizar estes jovens nem deixar de lhes oferecer uma colocação profissional compatível com as suas limitações intelectuais. E ao ignorar as suas limitações, o Estado está a empurrar involuntariamente estes jovens para a marginalidade social.

2- a) O mundo das famílias desestruturadas

O segundo tipo de utente que tem acedido à escola nas últimas décadas é o das chamadas famílias desestruturadas. Antes de 25 de Abril de 1974, estes jovens eram perseguidos e marginalizados pelos próprios professores, seguindo as directrizes e as práticas do Ministério da Educação. Se não eram expulsos, eram tão maltratados que acabavam por abandonar as escolas na primeira oportunidade. Contudo, hoje fazem parte da população escolar e, reconheça-se, de pleno direito. No entanto, mais uma vez, o Ministério da Educação não os reconhece como segmento de população escolar diferenciado e remete a solução dos problemas que causam no normal desenrolar da vida escolar para as escolas, sem os correspondentes meios. Aqui, as soluções para a resolução deste problema dividem-se. A Alemanha decidiu criar escolas de nível regular, médio e máximo e dar aos pais a opção de escolherem a escola dos seus filhos. A formação dos professores, ao que me informaram, também é diferenciada: os das escolas regulares têm competências reforçadas ao nível do comportamento e integração social e os das outras escolas ao nível científico. Confesso que me inclino, cada vez mais, para esta opção porque é a que mais atenção dá aos diversos públicos-alvo.

A outra opção passa por manter a actual heterogeneidade das turmas. Contudo, também aqui há limites inultrapassáveis, como o número de alunos problemáticos a nível de comportamento por turma. Por norma, um professor consegue gerir satisfatoriamente uma turma com um ou dois alunos problemáticos, mas jamais conseguirá gerir com sucesso turmas com 10 ou 15 alunos problemáticos. Neste caso, o rendimento escolar fica irremediavelmente comprometido. Bem pode o professor "fazer o pino", pois em Educação não há milagres. Ora, hoje em dia o Ministério da Educação impõe que as turmas só possam ser desdobradas se tiverem mais de 30 alunos, exceptuando se tiverem alunos com algum tipo de deficiência. Ora, os alunos desestruturados não são deficientes e, por isso, hoje há turmas com 10 ou 15 alunos problemáticos integrados em turmas de 30 alunos. O resultado só pode ser trágico, quer para os alunos problemáticos, que não têm a atenção que lhes é devida, quer para os restantes, que não conseguem aprender o que deviam. Obviamente, a culpa aqui não é dos professores, mas das regras absurdas impostas pelo Ministério da Educação. Ainda nesta opção, é absolutamente indispensável que a indisciplina orgânica não se torne norma na aula. A sala de aula é um local de trabalho, não o prolongamento do recreio. Contudo, cada vez é mais difícil distinguir o recreio da sala de aula. Ou é o auscultador que o aluno coloca mais ou menos discretamente no ouvido, ou é o telemóvel, ou o caderno e o livro que não são trazidos para a aula, ou a conversa irreverente com o parceiro do lado enquanto o professor tenta explicar a matéria, tudo isto perturba enormemente uma aula e reduz drasticamente a aprendizagem.

Ora, esta indisciplina orgânica deve ser muito mais penalizadora para o aluno do que é actualmente. A solução, do meu ponto de vista, passa por criar um núcleo disciplinar dentro de cada escola. Se um aluno desrespeita sistematicamente as regras de comportamento na sala de aula, deve ser obrigado a sair, mas não para regressar 10 ou 15 minutos depois à aula seguinte, continuando a ter o mesmo comportamento. Alguém que é expulso de uma aula por mau comportamento deveria ficar até ao final do horário escolar numa sala disciplinar, acompanhado por dois professores, com o perfil adequado para o efeito. Isto já é feito, com êxito, em escolas americanas. Outra medida poderia passar pela mudança compulsiva de turma ou até, de estabelecimento de ensino, bastando para tal uma avaliação negativa do comportamento do aluno, devidamente fundamentada, por parte do conselho de turma. Só assim, o combate à indisciplina será suficientemente dissuasor. O actual modelo do processo disciplinar, burocrático, interminável e permissivo, não tem qualquer eficácia e deveria ser reservado apenas a casos de violência, física ou verbal. Muitas vezes, quando chega ao fim o processo disciplinar, já acabou o ano lectivo. E, na maior parte das vezes, a pena é tão simbólica que põe o sistema a ridículo.

2-b) A violência na escola

Ainda dentro do capítulo das famílias desestruturadas, é preciso considerar o caso-limite da violência nas escolas, que afecta, sobretudo, a periferia das grandes cidades. O Ministério da Educação não pode remeter o problema para as escolas, lavando daí as suas mãos como Pilatos. Pior ainda quando decide acusar de incompetência os professores e as escolas em dificuldade, com o extraordinário argumento de que há escolas que têm êxito em situações idênticas.

Aliás, nos célebres vídeos da RTP, a estratégia do secretário de Estado passou (surpresa!) por tentar culpabilizar os professores em causa pela violência nas aulas, quando se percebe claramente que há naqueles alunos uma agressividade perfeitamente anormal que exigiria um apoio especializado acrescido àquelas escolas. Aliás, esta é a estratégia recorrente dos responsáveis do Ministério da Educação: quando algo não está bem, a culpa é invariavelmente dos professores. É a visão simplex da Educação. No caso dos vídeos na RTP, seria previsível que os responsáveis do ME tomassem medidas para resolver os problemas de violência nas escolas. Todavia, logo surgiu a notícia de que o Ministério iria tentar acusar a direcção das escolas de violação do direito de imagem, apesar de ninguém ser identificado na reportagem. Fantástico!

3- O problema da motivação

Um terceiro grupo problemático é o dos alunos que, devido a problemas de motivação ou bloqueios emocionais não conseguem ter um rendimento escolar normal. Muitas vezes, falta de motivação e de resultados não implica mau comportamento nas aulas. Muitos factores podem estar associados a estes problemas. Um deles é conhecido como hiperactividade ou défice de atenção. Segundo o pedopsiquiatra Nuno Lobo Antunes, 7,5% da população escolar tem este problema. Numa escola de 1300 alunos, 100 alunos sofrerão assim deste problema. Uma multidão. E qual é a resposta do Ministério da Educação para este problema, que exige tratamento médico especializado? A informação que tenho é que a única consulta do Estado na região, localizada no Hospital de Leiria, tem uma lista de espera de 7 meses... No sector privado, uma consulta da especialidade pode chegar aos 100 euros, bem longe do alcance da maioria dos pais. Diante deste cenário, que razão tem a senhora ministra da Educação para se queixar dos maus resultados escolares dos alunos? Além destes, existem muitos outros problemas de saúde que explicam o baixo rendimento dos alunos, como dislexia, problemas de visão, audição, etc., muito mais frequentes do que se pode imaginar e que dificilmente os professores conseguem detectar.

Ainda relativamente à motivação, que soluções propõe o Ministério da Educação para os inúmeros casos de falta de acompanhamento dos alunos por parte dos pais? É um erro de palmatória pensar que os professores podem substituir os pais no acompanhamento parental. Com 5 ou 6 turmas de 25 a 30 alunos e horários rígidos, perfazendo 100 a 150 alunos a seu cargo diariamente, os professores não têm nem tempo nem vocação para fazer esse acompanhamento. O resto não passa de fantasias delirantes. Ponto final. A "solução" do Ministério da Educação de alargar os horários escolares para permitir o melhor acompanhamento desses alunos dificilmente terá qualquer eficácia. Primeiro, porque não é em 45 minutos ou mesmo 90 minutos que se consegue dar o mínimo de acompanhamento parental a grupos de 5, 10 ou 15 alunos. Em segundo lugar, mais horas num horário escolar já sobrecarregado soa como um castigo extra para os alunos, que, ao fim do dia, já estão cansados e stressados e só querem ir para casa descansar. Outra medida inconsequente são as chamadas aulas de substituição. Se elas são compreensíveis no 1o ou 2º ciclo, dada a tenra idade dos alunos, que exige uma supervisão apertada, o mesmo não acontece no 3o ciclo e no ensino secundário, onde os alunos já dispõem de razoável autonomia. O argumento da senhora ministra de que se os alunos não estiverem na sala de aula andam pelos cafés a embebedarem-se não colhe. Em primeiro lugar, se as escolas não estão vedadas, é obrigação do Ministério da Educação fazê-lo. Os alunos devem permanecer no espaço escolar durante o tempo do horário escolar. E a esmagadora maioria dos alunos portugueses não são bêbados nem toxicodependentes, são jovens que precisam de brincar e de socializar, coisa que sempre fizeram de forma saudável.

Com esta medida, a senhora ministra impede os alunos de o fazer no recreio. A consequência é que transformam o espaço da sala de aula, que deveria ser sagrado e reservado ao estudo, no recreio. Os resultados desta medida em termos de cultura escolar são, obviamente, catastróficos. As medidas piedosas e populistas do Ministério da Educação, que podem parecer óptimas para pais e leigos na matéria, traduzem-se afinal em mais custos para os contribuintes e resultados nulos. Este é mais um exemplo de que a Educação precisa de especialização e que os especialistas deste sector não são gestores, sociólogos ou engenheiros mecânicos, mas professores. E, já agora, qual é a penalização (ou incentivo) para os pais que nem sequer vão à escola quando são solicitados? Será que o sucesso educativo não passa pela responsabilização de todos os intervenientes no processo educativo? Muito francamente, não me parece sério um discurso que só procura responsabilizar uma das partes e se demite totalmente de responsabilizar os outros intervenientes no processo. Ou será que o Ministério da Educação optou por afrontar apenas os professores por serem apenas 150 mil e não tem coragem de responsabilizar pais e alunos, por estes serem 3 ou 4 milhões?

A avaliação dos professores

a) Os "maus professores"

Em quase 20 anos de ensino, contam-se pelos dedos de uma mão os comportamentos não responsáveis de professores que observei. Por isso, é com perplexidade que ouço falar da necessidade de punir os "maus professores". De que País estamos a falar: da Somália, do Sudão ou do Burkina Faso?! Com certeza os professores são humanos, terão seguramente personalidades muito diferentes, qualidades e defeitos, mas, se há classe que me merece confiança, é a dos professores. De resto, numa profissão sujeito ao escrutínio de tanta gente, dificilmente algum professor não cumprirá as suas obrigações. Qualquer aluno, encarregado de educação ou professor se pode queixar ao conselho executivo da escola e todas as queixas são tidas em conta, consideradas e dado o devido encaminhamento. Os casos poderão depois ser passados à inspecção que os analisa a pente fino e, mesmo assim, raras são as condenações de professores.

Só quem não percebe nada do que são as escolas portuguesas - e muitos são, incluindo a maioria dos jornalistas - consegue acreditar na fantástica tese de que o problema do ensino secundário reside na qualidade dos professores. Lembro que a quase totalidade dos professores são pessoas formadas e, como já sublinhei, têm de dar diariamente provas de bom senso. Na verdade, o que falta nas escolas são regras eficazes a todos os níveis e flexibilidade na gestão. Por isso, é lamentável que a campanha de difamação dos professores parta precisamente dos responsáveis do Ministério da Educação. E mais lamentável ainda é que num dia lancem lama sobre a classe, para logo no dia seguinte virem dizer que não era bem assim, e que a culpa é do jornalista que deu a notícia. A senhora ministra acusou os professores de só se preocuparem com as boas turmas e de as colocarem de manhã para os funcionários da escola colocarem lá os seus filhos. Ora, isto é uma acusação claríssima de corrupção.

Em quase 20 anos de profissão, nunca observei tal prática e, por isso, considero que a senhora ministra difamou os professores. Em primeiro lugar, com a natalidade em queda, não me parece que os professores tenham assim tantos filhos e menos ainda na escola onde leccionam. Da minha experiência, cada escola talvez tenha em média dois ou três filhos de professores a estudar na mesma escola enquanto há 20 ou 30 turmas por escola. Além disso, muitos são os professores que têm os filhos a estudar noutras escolas, públicas ou privadas. Por aqui se vê que essa acusação não tem qualquer base de sustentação. No entanto, a ser verdade esta prática nalguma escola, a obrigação da senhora ministra era mandar a Inspecção averiguar, não lançar lama contra uma classe profissional inteira.

Por outro lado, a comparação dos professores com os médicos é, uma vez mais, reveladora do desconhecimento que a senhora ministra tem da profissão docente no ensino secundário. A cura da doença dos pacientes só depende do médico, mas a aprendizagem dos alunos não depende só do professor. Só por desonestidade intelectual e/ou leviandade se podem comparar situações tão distintas.

b) A avaliação fantasma dos pais

Os alunos não aprendem por um conjunto variado de factores, que já atrás referi, e dos quais o Ministério da Educação é o principal responsável. Os professores fazem o melhor que podem e sabem. De resto, a intenção persecutória dos responsáveis do Ministério da Educação contra os professores e as suspeitas públicas quanto ao seu profissionalismo são claras. A última afronta é a proposta de Estatuto da Carreira Docente. Com efeito, a proposta de avaliação dos professores por parte dos encarregados de educação parte da suspeita não confessada de que os professores não são responsáveis. Assim, os pais (supostamente cidadãos responsáveis) controlariam os professores (supostamente profissionais irresponsáveis).

A medida, tão populista como perversa, mereceu a reprovação da maior parte dos partidos, do Bloco de Esquerda ao CDS, e até da generalidade dos comentadores, sempre tão benevolentes com os actuais responsáveis do 5 de Outubro. A proposta não sobrevive ao mais rudimentar escrutínio. Primeiro, como podem os pais avaliar professores, se nem sequer os conhecem? Por outro lado, se não os conhecem, as informações em que se baseiam são transmitidas pelos filhos, de 10, 13 ou 16 anos! Ora, que maturidade tem uma criança ou adolescente para avaliar um professor? Por outro lado, é preciso não esquecer que entre professor e aluno também existe uma relação de poder. E deixar na mão de um adolescente o poder de avaliar o educador é uma total perversão. O poder do educador não pode ser diminuído pelo receio de uma revanche do aluno. No limite, uma turma de marginais terá o professor na mão, porque se este os afrontar leva com uma avaliação negativa e o seu salário será diminuído. Em termos de relação de poder, é como se um juiz passasse a ser avaliado pelas pessoas que tem de julgar! Um completo absurdo. E nem a tentativa da senhora ministra de tentar fugir à questão, dizendo que este é apenas um acto de avaliação, entre muitos outros, é minimamente admissível. Não é por ter menos peso que a proposta se torna mais séria ou aceitável! Além disso, um trabalhador não pode ver o seu desempenho avaliado por factores subjectivos, de que nunca poderá recorrer, deve ser avaliado em função de critérios objectivos. A avaliação profissional é uma coisa séria, não pode ser uma lotaria.
A insinuação de que os professores não querem ser avaliados é outra peça na campanha contra a classe que circula pelos média. A verdade é que os professores já eram avaliados até aqui, dependendo a aprovação da frequência de acções de formação e do cumprimento das tarefas atribuídas. É certo que o processo de avaliação não era muito exigente, mas a responsabilidade é, naturalmente, dos responsáveis do Ministério da Educação que aprovaram essa legislação, não dos professores, que se limitaram a cumprir o estipulado.

c) O mito da falta de assiduidade

Faço aqui um parêntesis para abordar a questão da assiduidade, que tem sido alvo de uma campanha demagógica contra a classe docente. Em primeiro lugar, o ensino é uma profissão maioritariamente de mulheres. Ora, tradicionalmente, quem cuida dos filhos quando estes estão doentes são as mulheres, sem falar que mulheres engravidam e, por isso, também têm por vezes de faltar por razões de saúde. Por isso, é natural que a assiduidade seja menor entre os professores que noutras profissões. Qual é a alternativa? Querem que as professoras deixem os seus filhos ao abandono? Por outro lado, a falta de um professor tem uma repercussão social ampliada. Quando um funcionário falta numa repartição o utente raramente dá por isso. No caso dos professores, quando um deles falta um único dia, há 150 alunos que dão pela sua falta e que contam a 300 pais. No total, a falta de um único professor é notada por quase meio milhar de pessoas. Por outro lado, não entendo porque os professores não podem repor as aulas em que têm de faltar. Bastaria que, para tal, fosse marcado no horário escolar uma mancha para esse efeito. Aqui está um mecanismo de gestão que, incompreensivelmente, não é utilizado e que poderia minorar bastante os efeitos das ausências pontuais dos professores. Por outro lado, é preciso entender que os professores têm horários extremamente rígidos e a um simples atraso de 5 minutos, devido a trânsito intenso ou outro motivo imprevisto, pode corresponder uma falta de um dia inteiro, se essa for a única aula do dia, ou, no mínimo, a 1⁄4 de dia de falta.

Quantos profissionais deste País têm penalizações tão gravosas, embora compreensíveis, por atrasos de 5 minutos? Além disso, é uma profissão muito exigente em termos de cansaço e desgaste psíquico. Um dia inteiro a lidar com adolescentes irreverentes é uma tarefa duríssima, sobretudo, quando se tem de lidar com turmas problemáticas, sem falar no trabalho que os professores levam para casa. Por isso, por vezes, quando um professor está "de rastos", nada mais lhe resta que parar um dia, mesmo perdendo um dia de férias, para recuperar energias ou até a sua sanidade mental.

Seguramente, não é por causa da assiduidade dos professores que o ensino está mal. A única excepção sucede quando um professor está de atestado médico menos de um mês, uma vez que a legislação só permite a substituição se a ausência for igual ou superior a um mês. O incumprimento do programa agrava-se ainda mais quando a instabilidade da saúde professor o leva a pôr sucessivos atestados médicos de curta duração. São casos raros, mas acontecem e penalizam bastante os alunos. No entanto, cabe ao Ministério da Educação modificar essa legislação e encontrar soluções mais criativas para que os alunos não fiquem sem aulas tanto tempo.

d) Avaliação sim, mas objectiva

De qualquer forma, quem não deve não teme e os professores não têm qualquer problema em ser avaliados, desde que os critérios sejam objectivos e estejam relacionados directamente com o seu trabalho. Não é aceitável que a sua avaliação dependa dos resultados dos alunos, pela simples razão de que os resultados dependem de muitos outros factores, além do trabalho do professor. Por exemplo, um professor com turmas problemáticas nunca pode ter os mesmos resultados que um professor com bons alunos. Por outro lado, isso seria mais um convite ao facilitismo porque, naturalmente, pressionaria os professores a inflacionar as classificações dos alunos. Por outro lado, é clara a intenção deste Governo ao fixar numerus clausus no acesso ao topo da carreira e não querer pagar aos professores, independentemente do seu mérito ou competência. Ora, como quer o Governo atrair para a carreira bons profissionais se não lhes paga em consonância? A proletarização da classe docente é uma realidade típica de países de Terceiro Mundo, não de países civilizados. E mal vai Portugal se tenciona continuar a desvalorizar a profissão de professor. Parafraseando a magnífica frase de Medina Carreira há alguns dias na RTP, também "eu gosto dos determinados, mas é quando acertam." Como já aqui demonstrei, a nomeação desta equipa da Educação é um monumental erro de casting e o País vai pagar caro a política populista e voluntarista que está a ser seguida neste sector. Em vez de mobilizar energias, Maria de Lurdes Rodrigues mais não faz do que incendiar o País e comprar guerras inúteis e despropositadas com os professores.

O descrédito da actual equipa da Educação é total nas escolas portuguesas e, por mais que isto custe a José Sócrates, tal não se deve a questões salariais, mas ao facto da sua competência não ser reconhecida. Não se governa um País com base em estatísticas, sobretudo, quando não se percebe o que está por detrás desses números. E quanto mais Maria de Lurdes Rodrigues brande desajeitadamente as estatísticas, mais expõe a sua ignorância e se põe a ridículo aos olhos dos professores. E muito mal vai uma organização quando os subordinados não reconhecem a competência do chefe.

Mário Lopes.

Etiquetas: ,

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Frua da cultura em Alcobaça: vá ao Cine-Teatro!

(carregue na imagem para ampliar)

Já o dissemos algumas vezes, mas não é demais repeti-lo: o Cine-Teatro de Alcobaça, e a sua belíssima programação cultural, merecem toda a nossa estima e atenção. Oxalá que os tempos de "crise" que atravessamos não sirvam de pretexto para, como costumava dizer-se, pouparmos nos botões, imitando o alfaiate inepto após ter gasto todo o dinheiro no tecido. Alcobaça merece-o, e não é com certeza o orçamento do Cine-Teatro que poderá levar à falência a Câmara Municipal. Dizia Mestre Agostinho da Silva que os corpos, alimentados pelo pão, fazem mas não querem, ao contrário das almas que, mesmo sem poderem, querem sempre. A Palavra, veiculada pela Cultura, é o "alimento" das almas. Que não lhes falte nesta altura tão carente de querença.

Etiquetas:

Sábado, Janeiro 24, 2009

Encontros com as Invasões Francesas, no Armazém das Artes

Armazém das Artes - Fundação Cultural
Encontros com as Invasões Francesas
Inauguração dia 31 de Janeiro

Os 200 anos das Invasões Francesas que trouxeram a Portugal morte, destruição e pilhagem, mas também um novo ciclo de gestão das dependências visando preservar a independência, deram o mote ao Armazém das Artes para a realização de uma série de eventos a inaugurar no prócimo sábado, dia 31 de Janeiro, pelas 16 horas, com uma Conferência intitulada "As Invasões Francesas na Beira - suas consequências económico-sociais", pelo Prof. Dr. João Nunes de Oliveira da Universidade de Coimbra, especialista em História Económica e Social. Com a qualidade a que o Armazém das Artes nos habituou, esta é mais uma iniciativa que o Bazar das Monjas recomenda. A história, como acreditava Miguel de Cervantes, não é apenas o registo possível do passado. É também a advertência do futuro, Conhecê-la é por isso estar prevenido.

Visite aqui a página web do Armazém das Artes para mais informação

Etiquetas: