No próximo sábado, dia 14 de Junho de 2008, será inaugurada pelas 16 horas, na Galeria Adega (gentilmente cedida pela artista de Cós Helena Barros), a exposição de uma selecção dos trabalhos dos 35 autores apurados para o PRADBA 2007. Estais todos convidados para esta exposição em que podeis apreciar a qualidade das obras apresentadas.
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Texto do discurso proferido pela Raquel Romão na sessão de abertura da Cerimónia de entrega dos prémios
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As minhas primeiras palavras vão para uma pessoa muito querida que muito contribuiu para o Projecto Cultural do Bazar das Monjas de Coz, mas que infelizmente nos deixou no passado dia 13 de Fevereiro do corrente ano. O Sr. Joaquim Elias Jorge está ligado àquilo que hoje aqui nos traz, e estará também sempre ligado a este nosso projecto cultural, enquanto ele se mantiver, o que muito desejamos. Oxalá Deus nos ajude, nos dê saúde e fé para continuarmos. E à sua esposa, D. Rosa Carreira, e filha, Teresa Elias, aqui fica também o meu público pesar pela tão dramática perda, e o agradecimento por continuarem a apoiar um projecto que também é seu.
O Projecto Cultural do Bazar das Monjas de Coz, e concretamente este Prémio de Revelação Artística D. Benta de Aguiar, visaram desde o seu início, faz hoje exactamente 4 anos, contribuir para o estudo e a promoção do riquíssimo património cultural e natural da freguesia de Cós, e em particular desta nossa bela aldeia que tanto amamos. É aqui o nosso lugar; foi aqui que nascemos; os nossos entes queridos estão sepultados lá no cimo, no cemitério da aldeia, e era aí, junto a eles, quando por cá os nossos dias acabarem, que gostaríamos enfim também de repousar. Podemos ter viajado muito, conhecido muitos lugares e cidades, mas nada substitui este lugar mágico que nos prende e do qual não podemos nem queremos desligar-nos.
As palavras seguintes que gostaria de aqui deixar vão para todos aqueles que têm acreditado em nós e nos têm, de uma forma ou de outra, ajudado nesta difícil caminhada. Desde logo um agradecimento muito especial para a Paróquia de Cós, nas pessoas do Sr. pároco José da Silva e da D. Olívia, que desde o início nos têm apoiado e dado o ânimo suficiente para continuarmos a acreditar neste projecto. Acreditar também que é possível reverter a precária situação em que o nosso património cultural se encontra, e que se deve em última instância ao facto de sermos cada vez menos para cuidarmos dele. Acreditar que é possível ter um lugar e viver nele todos os dias, com uma entrega total aos costumes e às tradições que herdámos dos nossos pais e avós, acrescentando-lhe porém o novo e o bom que os nossos tempos trouxeram. Acreditar que a desertificação humana e a falta de crianças e de jovens nestas aldeias não são uma irreversibilidade. Acreditar na família, que é a base de toda a sociedade, e no trabalho criativo que nos realiza enquanto homens e mulheres que, acima de tudo, sonham.
Um agradecimento também muito especial ao nosso querido presidente da junta de freguesia de Cós, Álvaro Santo, que tão incansável tem sido na defesa dos interesses da nossa terra, e às demais instituições que designaram membros para integrarem o júri deste prémio: a Confraria do Santíssimo Sacramento da freguesia de Cós e o Agrupamento de Escuteiros 522 Cós. A todos eles o nosso muito obrigados!
Aos patrocinadores do prémio, nomeadamente a Caixa de Crédito Agrícula Mútuo de Alcobaça, e a todos quantos nos apoiaram financeiramente na dotação prevista para o PRADBA, o nosso muitíssimo obrigados também, pois as suas ajudas demonstraram um sinal de empenho com a cultura, essencial numa sociedade sustentável, além de que reduziram o esforço financeiro daqueles que, como nós, estão sempre limitados por esse bem tão escasso que é o dinheiro...
Também devemos um agradecimento a todos os órgãos da imprensa local e regional que gentilmente divulgaram este prémio, e a todos os jornalistas nossos amigos que sempre têm estado connosco desde o primeiro dia. Agradeço, e perdoem-me se esquecer algum, ao Região de Cister, ao Alcoa, ao Voz de Alcobaça, ao Jornal de Leiria, ao Jornal Região da Nazaré, ao Região de Leiria, às rádios Nazaré FM, Cister e Rádio Batalha; aos jornais digitais e blogues Terra de Paixão, do Mário Bernardes; Nas Faldas da Serra, do Comissário do PRADBA e nosso querido amigo José Alberto Vasco; Tinta Fresca, de Mário Lopes e ao caldense Oeste Online; Ao mensageiro diário e edificante Rogério Raimundo; ao Do Portugal Profundo do António Balbino Caldeira; entre muitos outros.
Não poderíamos deixar de agradecer o enorme talento e simpatia da Escultora alcobacense Madalena Metelo, espelhado no troféu PRADBA especialmente por si criado para este evento. É uma peça muito bela, que será entregue aos melhores trabalhos concorrentes de cada modalidade. Foi o nosso querido amigo e consagrado escultor José Aurélio que nos pôs em contacto com Madalena Metelo, e aqui fica também para ele uma saudação agradecida pela sua imensa disponibilidade e sincera amizade.
Ao Osvaldo Fernandes e ao Claude François, nossos conterrâneos e músicos por devoção, um agradecimento por terem aceite o desafio que lhes lançámos há alguns meses de comporem um trecho musical para marcar este dia, e que daqui a pouco ouviremos. Chama-se “Simplex Oratio”. Foi produzidos por eles recorrendo às mais modernas tecnologias de produção musical, e esperamos que apreciem. O prémio do Osvaldo e do Claude será o vosso aplauso.
À Câmara Municipal de Alcobaça agradecemos todo o apoio logístico e de divulgação deste prémio, e a maior atenção que tem vindo a dar desde há algum tempo para Cós e para a situação da envolvente deste seu Monumento ex-libris. A abertura temporária do Mosteiro ao público foi este ano um dado importante, mas é preciso que não fiquemos por aqui, pois há visitantes durante todo o ano e há muito mais a fazer no sentido de o promover e valorizar esta e outras tão belas peças do nosso património cultural.
As paredes deste Mosteiro são sagradas. Sagradas no sentido em que transpiram delas vozes e cantos ainda em grande parte por decifrar, e que nos remetem a épocas de antanho como a da abadessa D. Benta de Aguiar, patrona deste prémio e figura ainda envolta em grande mistério. Os anexos degradados que podeis ver em redor desta nave são também eles sagrados, pois as suas pedras querem falar connosco, contar-nos a sua imensa história; uma história feita de alegrias e sofrimentos, de penitências e orações; de clausura, de extrema simplicidade e de muitos trabalhos diários. É preciso pois que com amor saibamos ouvir o que dizem essas pedras.
Para nós, cristãos, o tempo não é linear. A natureza também não o é pois a vida acontece cíclica e repetidamente, os ciclos solares e lunares alumiam-nos e escurecem-nos, ao dia sucede a noite e à tristeza sucede tantas vezes a alegria. O nosso calendário repete-se, e todos os anos celebramos o Natal, a Páscoa e outros acontecimentos que marcaram a vida de Jesus de Nazaré, de sua mãe Maria e dos apóstolos. As coisas repetem-se, e daí acreditarmos que no passado podem estar muitas das soluções para os nossos problemas de hoje. Daí que gostássemos que qualquer obra a ser feita na envolvente deste Mosteiro o fosse com amor, com sensibilidade, com tempo.
Daí também que gostássemos que um dia fosse feita justiça às últimas monjas que daqui saíram, famintas e abandonadas à sua sorte, em direcção a Odivelas. Corria o ano de 1834 e os bens do Mosteiro eram arrestados pelo governo. Decretada a exclaustração iniciava-se um longo processo de abandono, destruição e ocupação daquilo que outrora havia sido um lugar de culto e de extrema dedicação a Deus. Que melhor justiça poderia fazer-se hoje àquelas dez mulheres que heroicamente compareceram ao arresto de bens, nesse fatídico dia 27 de Maio de 1834? Talvez o trazer-se de volta aqui à bela aldeia de Cós uma comunidade de monjas, devolvendo assim ao lugar o seu espírito.
Mas não me estenderei mais por agora, até porque ainda não agradeci aos proncipais protagonistas do acontecimento que hoje celebramos: são eles os concorrentes ao PRADBA, que nos presentearam com trabalhos cuja qualidade superou todas as nossas expectativas. Trabalhos que cobriram elém disso todas as modalidades apresentadas a concurso, e que, relembro, eram sete: Ensaio, Texto Literário, Pintura, Desenho, Escultura, Fotografia e Vídeo. O tema obrigatório era Cós e a sua freguesia, pelo que foi também com alegria que registámos o interesse mostrado por concorrentes oriundos dos mais diversos pontos do país, de Norte a Sul de Portugal, e alguns até do estrangeiro. Agradecemos pois a todos eles, premiados ou não, o seu verdadeiro esforço por tentarem conhecer melhor a nossa freguesia, descobrindo-a pelos seus próprios olhos. A sua participação honrou este prémio, e também conferiu mais responsabilidade àqueles que o venceram.
O trabalho do juri não foi por isso fácil, embora tivesse havido alguns trabalhos que de imediato impressionaram pela sua beleza. Eles serão aqui mostrados hoje, e estais desde já também convidados para a exposição da totalidade dos trabalhos concorrentes, que abrirá ao público na próxima semana, dia 14, na Galeria Adega, gentilmente cedida para o efeito pela nossa amiga, professora, membro do Júri do PRADBA e artista plástica de Cós, a Dra Helena Barros.
Falta talvez para terminar a minha intervenção, que já vai longa, dizer alguma coisa sobre o futuro deste prémio. O trabalho foi bastante mas foi também muito gratificante. Por isso julgamos que há possibilidades de caminhar para uma segunda edição, porventura com alguns ajustamentos em relação às modalidades postas a concurso. É algo que iremos estudar em conjunto, vendo o que se poderá vir a fazer. É claro que vos informaremos assim que houver desenvolvimentos nesse sentido.